Introdução: Descomplicando as Revisões da Literatura

E aí, minha gente da pesquisa! Hoje vamos esclarecer um tema que gera muitas dúvidas e é fundamental para quem navega pelo mundo científico: a diferença entre revisão sistemática e revisão integrativa.

Se você já se pegou confuso sobre qual revisão desenvolver, saiba que isso é normal. Neste guia, vou desvendar de forma didática os dois grandes grupos de revisões, com foco especial na diferença entre revisão integrativa e revisão sistemática, para que você compreenda de vez suas particularidades e saiba qual escolher para o seu trabalho.

Dois Grandes Grupos de Revisões: Padrão Ouro vs. Outros Tipos

Para facilitar a compreensão, podemos dividir as revisões da literatura em dois grandes grupos: as revisões “Padrão Ouro” e “Outras Revisões”. Essa divisão é apenas didática, viu? Não desvaloriza nenhum tipo de revisão, mas ajuda a entender o nível de rigor e os caminhos metodológicos de cada uma.

As Revisões “Padrão Ouro”: Sistêmicas e de Escopo

No grupo do “Padrão Ouro”, encontramos as revisões que são mais incentivadas e orientadas por diretrizes internacionais rigorosas. Elas possuem guias e manuais detalhados que ensinam o passo a passo de cada etapa da sua elaboração e metodologia.

Essas diretrizes são estabelecidas por grandes entidades internacionais, como:

  • A Biblioteca Cochrane, muito famosa por orientar revisões sistemáticas.
  • O Instituto Joanna Briggs (JBI), também focado em revisões sistemáticas e revisões de escopo.

No Brasil, temos inclusive centros que seguem essa padronização, como o Centro Brasileiro para Cuidado à Saúde Baseado em Evidências, Centro Afiliado do Instituto Joanna Briggs (JBI) no Brasil, ligado à Universidade de São Paulo (USP).

As revisões consideradas “Padrão Ouro” são a revisão sistemática e a revisão de escopo. Elas exigem um rigor metodológico extremo e uma transparência total em todas as etapas do processo.

Outros Tipos de Revisões: Narrativas, Bibliográficas, Bibliométricas e Integrativas

Do outro lado, temos as revisões narrativas, bibliográficas, bibliométricas e, sim, as revisões integrativas. Embora também tenham guias e autores que orientam sua elaboração, a principal diferença em relação às “Padrão Ouro” está na rigorosidade exigida no passo a passo e na transparência de todo o processo.

Transparência e Rigor: O Segredo para Evitar o Viés do Pesquisador

Um ponto crucial em qualquer pesquisa científica é o risco de viés do pesquisador. Ou seja, a tendência de, mesmo que inconscientemente, inserirmos nossas crenças, opiniões e escolhas no trabalho que estamos desenvolvendo. Isso vale para qualquer tipo de pesquisa – desde a seleção de amostras em estudos empíricos até a escolha de artigos em revisões da literatura.

A ideia central da revisão da literatura é sintetizar o conhecimento científico disponível da melhor forma possível, sem a interferência pessoal do pesquisador. Vivemos em um mundo com um número imenso de produções científicas diárias, e precisamos extrair a melhor conclusão para nossas dúvidas, seja sobre o melhor medicamento, as melhores práticas de cuidado, ou qualquer outro tema.

Quando a metodologia de uma revisão é muito bem descrita, transparente e utiliza métodos rigorosos, ela garante que o processo foi seguido à risca, minimizando o viés e aumentando a credibilidade dos achados.

A Revisão Integrativa: Uma Ponte para o Rigor das Sistemáticas

As revisões sistemáticas e de escopo são exemplos de revisões que predispõem uma transparência muito maior. Para publicar um protocolo ou uma revisão sistemática/de escopo em periódicos de alto impacto, é essencial seguir as normas e os grandes guidelines estabelecidos.

Já as outras revisões, como a narrativa, permitem uma “folga” maior. Por exemplo, na revisão narrativa, o autor tem mais liberdade para incluir os artigos de seu interesse, e o método não precisa ser tão transparente. Para saber mais sobre revisão narrativa, confira o meu outro post clicando aqui.

No entanto, a revisão integrativa se destaca nesse cenário: ela está “puxando para o lado” das revisões mais rigorosas. A revisão integrativa é muito boa porque tenta incorporar ferramentas e processos utilizados nas revisões sistemáticas.

Dica de ouro: Se você está desenvolvendo uma revisão integrativa, quanto mais ferramentas metodológicas de uma revisão sistemática você utilizar, melhor! Por exemplo, usar o fluxograma PRISMA, que é indicado para revisões sistemáticas e de escopo, para mapear todos os artigos encontrados em cada etapa da sua busca literária. Isso é muito bem visto e aumenta a força da sua revisão integrativa, mesmo não sendo obrigatório.

Além disso, a revisão integrativa tem o diferencial de ser bastante abrangente, integrando pesquisas empíricas de natureza quantitativa, qualitativa ou mista – ela “junta tudo” no mesmo barco.

Todos os Tipos de Revisão São Publicáveis!

É importante ressaltar que todos os tipos de revisão são publicáveis! Elas podem ser apresentadas em eventos científicos, publicadas como capítulos de livros ou artigos científicos para revistaa.

Embora alguns tipos de revisões possam ser mais difíceis de serem aceitos em algumas revistas, muitas outras aceitam revisões narrativas, bibliográficas, bibliométricas e, claro, integrativas. Basta fazer uma busca rápida em bases de dados para comprovar.

A escolha do tipo de revisão deve sempre ser feita de acordo com a sua necessidade, o seu objetivo e a sua intenção com a pesquisa. A revisão integrativa, por exemplo, é uma ótima opção para “começar nesse mundo”, pois permite desenvolver um trabalho de alta qualidade sem a rigorosidade extrema e o tempo que uma revisão sistemática exige, o que é ideal para quem não tem uma equipe grande ou tempo integral para se dedicar.

A Chave para o Sucesso: Escolha e Siga um Guideline

Se você decidir fazer uma revisão sistemática ou uma revisão de escopo, aqui vai uma dica fundamental: escolha um guideline e siga-o passo a passo até o fim. Isso parece óbvio, mas muitas pessoas não seguem!

Seguir um guideline vai te poupar muito tempo e evitar erros futuros. Desde a estrutura da introdução (com o que deve ter), passando pela metodologia (com o uso de gerenciadores de referência e revisão por pares), até a análise de dados, o guideline detalha tudo que precisa ser feito. Não tente fazer “do seu jeito” ou misturar informações de várias fontes, pois isso pode levar a retrabalho e inconsistências.

O Objetivo Final da Pesquisa: Responder à Pergunta da Revisão

Para finalizar, o que realmente importa nas pesquisas científicas e nas revisões da literatura são as conclusões e os achados. O foco deve ser sempre levantar uma pergunta de revisão que será respondida por meio da síntese do conhecimento científico disponível na literatura.

Todos os artigos reunidos, a discussão com a literatura e a conclusão formam a resposta exata para a sua pergunta de revisão. É isso que trará valor e contribuição ao campo do conhecimento.

Conclusão: Simplificando o Complexo Mundo das Revisões

Compreender a diferença entre revisão integrativa e revisão sistemática, e entre os outros tipos de revisão, é essencial para qualquer pesquisador. Espero que essa distinção didática ajude você a navegar com mais clareza nesse mundo da pesquisa. Lembre-se: o rigor e a transparência metodológica são a base para um trabalho de qualidade, e a escolha do tipo de revisão depende do seu objetivo e recursos.

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